Escalões e taxas: como o IRS realmente se calcula
Subir de escalão não é o papão — a taxa mais alta só toca na última fatia. Eis a mecânica, e o fim do mito mais caro do café português.
Subir de escalão não é o papão — a taxa mais alta só toca na última fatia. Eis a mecânica, e o fim do mito mais caro do café português.
Quantas vezes já ouviu alguém dizer que "não quer um aumento porque vai subir de escalão e ganhar menos"? Este é, provavelmente, o erro financeiro mais comum em Portugal. O IRS é um imposto progressivo, o que significa que o teu rendimento é fatiado como um bolo, e cada fatia paga a sua própria taxa.
Mesmo que o teu rendimento chegue ao escalão mais alto, os primeiros euros continuam a ser tributados à taxa do primeiro escalão.
Para entender o teu IRS, precisas de distinguir dois conceitos fundamentais:
Antes de aceitar um aumento ou simular o teu IRS, valida se o rendimento que estás a considerar é o Rendimento Coletável (Rendimento Bruto menos as deduções específicas, como a dedução automática por contribuições à Segurança Social). É sobre este valor, e não sobre o bruto, que os escalões se aplicam.
O cálculo segue uma estrada com quatro paragens obrigatórias:
A soma de todos os teus ganhos anuais antes de qualquer desconto.
Abate-se automaticamente a dedução mínima (ou mais, se as contribuições para a SS forem superiores).
Divide-se o rendimento pelo número de adultos no agregado (se optar pela tributação conjunta).
Subtraem-se as despesas de saúde, educação e faturas do E-fatura ao imposto calculado.